A GWM (Great Wall Motors) levantou questões sobre a viabilidade das montadoras tradicionais no Brasil, em meio ao crescimento acelerado das marcas chinesas. Durante uma entrevista ao podcast do Motor1.com Brasil, o COO da GWM, Diego Fernandes, destacou que a verdadeira preocupação não é apenas a entrada de novas fabricantes chinesas, mas a capacidade das marcas históricas de resistirem à concorrência.

Crescimento das marcas chinesas
Fernandes observou que a GWM e a BYD, que já estão estabelecidas no Brasil, têm visto um aumento constante em suas vendas, enquanto o mercado geral não apresenta um crescimento proporcional. Ele mencionou que, entre janeiro e setembro de 2026, os emplacamentos de veículos cresceram 18,1%, mas as marcas chinesas, como Omoda e Geely, registraram avanços muito superiores, desafiando a liderança de fabricantes tradicionais como Volkswagen, Fiat, Chevrolet e Toyota.
Comparação de produtos
O executivo também fez uma comparação entre os produtos chineses e os das montadoras tradicionais, afirmando que a tecnologia e a qualidade dos veículos chineses estão em um nível que torna difícil a comparação com a indústria estabelecida. Segundo ele, a “superioridade é imensa”, refletindo a rápida evolução dos carros chineses e sua crescente aceitação no mercado.
Mudança no perfil dos consumidores
Fernandes destacou que, desde o início das operações da GWM no Brasil, em abril de 2023, o perfil dos consumidores tem mudado. Inicialmente, muitos clientes interessados no Haval H6 vinham de modelos como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. No entanto, com a ampliação do portfólio da GWM, agora é comum que clientes de marcas premium, como BMW e Mercedes-Benz, estejam trocando seus veículos por modelos da GWM.
Estratégias distintas no mercado
Embora GWM e BYD estejam competindo no mesmo espaço, Fernandes ressaltou que as duas marcas adotaram estratégias diferentes. Enquanto a BYD focou em modelos de maior volume, especialmente elétricos, a GWM optou por veículos de maior valor agregado, com um preço médio de R$ 260 mil, em comparação com cerca de R$ 170 mil da BYD. A GWM, que vendeu 29 mil veículos em 2024 e 42 mil em 2025, espera alcançar 100 mil emplacamentos em 2026.


