A JAC Motors, sob o controle do Grupo SHC, solicitou recuperação judicial pela segunda vez para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas. O pedido foi feito na última terça-feira (6) e envolve 44 empresas. A informação foi divulgada pela revista EXAME, que já acompanhava as negociações do grupo com seus credores.

Histórico de dificuldades financeiras
O empresário Sérgio Habib, que lidera a JAC Motors no Brasil desde 2011, já havia enfrentado uma situação semelhante em 2018, quando a empresa recorreu à Justiça devido a dívidas que na época somavam R$ 517,7 milhões. As dificuldades foram atribuídas à crise do mercado brasileiro e às regras do Inovar-Auto, que aumentaram os impostos sobre veículos importados, impactando diretamente a operação da marca.
Desempenho de vendas e mudanças na estratégia
Desde então, a operação da JAC Motors encolheu significativamente, com a venda de apenas 988 veículos em 2025, uma queda de 51,1% em relação ao ano anterior. A marca, que chegou ao Brasil em 2011 com uma proposta de oferecer carros mais equipados e acessíveis, viu seus planos de expansão, como a construção de uma fábrica na Bahia, não se concretizarem.
Além das dificuldades com a JAC, o Grupo SHC também enfrentou o fim de uma parceria de 28 anos com a Citroën, que era uma parte importante de seus negócios. O plano de recuperação judicial anterior foi homologado em setembro de 2019 e finalizado em maio de 2025, apenas 17 meses antes do novo pedido.
Novas tentativas e desafios no mercado
Após a primeira recuperação, a JAC tentou diversificar sua linha de produtos, apostando em veículos elétricos, mas sem sucesso. Recentemente, a marca deixou de vender alguns modelos elétricos, reduzindo sua gama a apenas dois. A empresa está agora concentrando suas vendas na internet e no atendimento por telefone, enquanto mantém cerca de 150 oficinas para manutenção e pós-venda.
Apesar das dificuldades, o CFO do Grupo SHC, Nicolas Habib, afirmou que a empresa planeja lançar o SUV JS8 Pro, um modelo de sete lugares, em novembro de 2026. Contudo, a incerteza em torno da recuperação judicial levanta dúvidas sobre a viabilidade desse lançamento.


