A aposta da Volkswagen na Xpeng para ganhar fôlego na China ainda não entregou o resultado esperado. O primeiro produto dessa parceria, o SUV elétrico ID. UNYX 08, vendeu em média 267 unidades por mês entre abril e agosto, segundo a ThinkerCar, bem abaixo da meta interna de 3.622 unidades mensais prevista para 2026, conforme documentos obtidos pela Reuters.

O desempenho ajuda a ilustrar as dificuldades da marca no maior mercado automotivo do mundo. A China, que já respondeu por quase metade do lucro do grupo, hoje representa cerca de 10%, enquanto a Volkswagen atravessa a maior reestruturação de seus 89 anos, de acordo com a agência.
Preço, tecnologia e rede pesaram contra o SUV
Segundo a Reuters, um dos principais problemas foi a relação entre preço e conteúdo. O ID. UNYX 08 chegou ao mercado por cerca de US$ 34 mil, enquanto rivais de valor parecido ofereciam mais recursos. O Xiaomi YU7, por exemplo, trazia pacote avançado de sensores, e o Zeekr 7X apostava em recarga rápida.
Entre abril e agosto, o Xiaomi vendeu quase 57 mil unidades e o Zeekr mais de 21 mil, contra cerca de 1,3 mil do Volkswagen. Pedro Pacheco, da Gartner, afirmou à Reuters que consumidores chineses se perguntam por que comprar um carro alemão caro se podem ter tecnologia mais barata.
A distribuição também atrapalhou. O SUV foi vendido por uma rede nova, operada pela Volkswagen Anhui, e não pelas mais de 3.000 concessionárias das parceiras FAW e SAIC. Com apenas 166 pontos de venda, muitos clientes nem sequer sabiam que o carro existia. A empresa disse à Reuters que as vendas da Anhui estão crescendo e que passou a usar lojas selecionadas da FAW-Volkswagen.
Meta reduzida e próximos passos na China
A reportagem também aponta que a meta para 2026 foi cortada em mais de 60%, para 12,3 mil unidades, e que o carro passou a ser anunciado com 17% de desconto. Internamente, a estratégia de parcerias chinesas era chamada de “casamento e divórcio”: aprender com parceiros locais e depois seguir sozinho.
O próximo teste será o sedã UNYX 09, que deve chegar neste mês. Documentos vistos pela Reuters projetavam quase 4,9 mil vendas mensais para o modelo. Em mensagem à equipe em 10 de setembro, Ralf Brandstätter descreveu uma indústria em contração “excepcional” e defendeu o alinhamento da capacidade produtiva, além do fim de “duplicações desnecessárias” entre marcas.
Para a Reuters, o caso mostra que comprar tecnologia local não basta para acompanhar o ritmo das fabricantes chinesas. E é justamente esse tipo de lição que a Volkswagen pode levar para outros mercados, inclusive o brasileiro, onde já há sinais de uma estratégia mais conectada à China em projetos como a nova Amarok.
Fonte: Motor1



