Gasolina acima de R$ 6 e deslocamento diário cada vez mais caro: muita gente compra moto achando que “toda moto é econômica” e só descobre o erro depois, quando começa a abastecer toda semana. No entanto, em 2026 a diferença entre um modelo que faz 40 km/l e outro que passa de 60 km/l muda o seu custo por mês de um jeito bem real no bolso. Por isso, a seguir você vai ver um ranking prático, com números de consumo usados no mercado e uma leitura financeira para decidir com menos risco.

Por que a economia da moto virou critério decisivo em 2026
Em cidade grande, o gasto com combustível deixou de ser detalhe e passou a ser a linha que separa “moto que ajuda” de “moto que vira conta fixa”. Além disso, o preço médio nacional da gasolina ficou na casa de R$ 6,30 por litro em levantamentos recentes da ANP, o que torna qualquer variação de consumo mais visível no orçamento mensal. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
Ao mesmo tempo, existe um ponto que quase ninguém considera: consumo não é só motor. Peso, câmbio (manual vs. CVT), calibragem, rota e até o tipo de uso (entrega, garupa, corredor) mudam o resultado. Portanto, faz sentido olhar ranking, mas faz mais sentido ainda entender o custo por quilômetro e o que explica cada número.
Como ler “consumo real” sem cair em propaganda
De onde vêm os números do ranking
As fabricantes nem sempre divulgam consumo de forma padronizada para motos, e por isso listas confiáveis costumam juntar referências de medições e fontes setoriais. Um exemplo é a compilação da Webmotors, que usa dados reunidos de várias origens (incluindo órgãos e institutos), e lista consumos e preços sugeridos para modelos populares no Brasil. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
Por que seu resultado pode ser diferente
Mesmo quando há medição oficial em laboratório (como ocorre em programas de etiquetagem/eficiência energética), o próprio conceito é o de condição controlada e ajustada, enquanto o dia a dia depende de trânsito, aceleração, carga e manutenção. Em outras palavras: o ranking é um norte, mas a sua realidade é quem fecha a conta.
Ranking 2026: as motos mais econômicas no Brasil (com custo por 1.000 km)
A tabela abaixo usa os consumos divulgados em lista setorial e calcula o gasto aproximado de combustível por 1.000 km e por ano. Para o cálculo, considerei gasolina a R$ 6,30/L (média nacional recente) e 12.000 km/ano como referência de uso. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
| Posição | Modelo | Consumo (km/l) | Gasto por 1.000 km (R$) | Gasto/ano (12.000 km) (R$) |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Honda Biz 125 | 62,8 | 100,32 | 1.204 |
| 2 | Mottu Sport 110i | 60,0 | 105,00 | 1.260 |
| 3 | Honda Pop 110i | 55,0 | 114,55 | 1.375 |
| 4 | Honda Elite 125 | 50,0 | 126,00 | 1.512 |
| 5 | Honda PCX 160 | 47,0 | 134,04 | 1.609 |
| 6 | Honda CG 160 Fan | 45,9 | 137,25 | 1.647 |
| 7 | Yamaha Aerox 160 | 45,0 | 140,00 | 1.680 |
| 8 | Yamaha Fluo ABS Connected | 45,0 | 140,00 | 1.680 |
| 9 | Yamaha NMax 160 Connected | 43,0 | 146,51 | 1.758 |
| 10 | Yamaha Factor 150 | 40,0 | 157,50 | 1.890 |
Leitura rápida: entre 62,8 km/l e 40 km/l, a diferença chega a cerca de R$ 686 por ano só em combustível (no cenário de 12.000 km/ano). Ou seja, economia “pequena” em km/l vira dinheiro real quando você roda todo dia.
O que explica as campeãs de consumo (e quando elas deixam de ser a melhor compra)
1) Motonetas/underbones: por que Biz e Pop costumam liderar
Em geral, esse tipo de moto combina motor pequeno, conjunto leve e proposta urbana. Além disso, a ergonomia e a ciclística favorecem acelerações mais suaves, o que ajuda no consumo. No entanto, se você pega rodovia todo dia, com vento contra e velocidade sustentada, a vantagem tende a cair, e o “barato” pode virar “cansativo” em segurança e conforto.
2) Scooters (CVT): economia boa, mas depende do seu pé
Scooters como PCX, NMax, Fluo e Aerox aparecem bem no ranking porque são eficientes na cidade e práticos no anda-e-para. Ainda assim, o câmbio CVT pode penalizar consumo se você acelera forte o tempo todo. Portanto, o consumo real costuma ser ótimo para quem roda constante e previsível, e apenas “bom” para quem vive em arrancadas.
3) Street 150/160: equilíbrio entre desempenho e custo por km
Modelos como CG e Factor normalmente não ganham o topo do consumo, mas entregam uma equação bem forte: boa rede, manutenção simples e uso versátil. Por isso, elas muitas vezes vencem no “custo total” quando você coloca na conta pneus, relação, revisões e revenda.
Impacto financeiro real: o que pesa além da gasolina
Se a meta é gastar pouco por mês, combustível é só a primeira camada. Em seguida, entram itens que variam muito por perfil de uso, mas quase sempre definem o custo real de propriedade:
| Item | Por que muda o seu custo | Como reduzir risco antes da compra |
|---|---|---|
| Revisões e óleo | Trocas frequentes em uso severo (trânsito/entrega) aumentam gasto anual. | Confira intervalo e preço de revisão na concessionária e compare com oficina de confiança. |
| Relação (corrente/coroa/pinhão) | Uso em chuva, falta de lubrificação e carga aceleram desgaste. | Verifique preço do kit e a disponibilidade de peça na sua região. |
| Pneus | Scooters e uso urbano agressivo podem “comer pneu” mais rápido. | Simule o custo do par de pneus e a duração média no seu tipo de trajeto. |
| Seguro | Perfil, cidade e índice de roubo mudam tudo; às vezes é o maior custo depois do combustível. | Cote antes de fechar negócio para não ser surpreendido. |
| Revenda | Modelo “queridinho” vende fácil; modelo nichado pode desvalorizar mais. | Compare liquidez e preço de usados equivalentes, não só o 0 km. |
Nesse sentido, a “moto mais econômica” pode não ser a mais barata para você se o seguro for alto na sua cidade ou se a manutenção ficar cara por falta de peças. Portanto, o ideal é fechar a compra olhando o conjunto.
Tendências para 2026: o que esperar da economia nas motos
Em 2026, a eficiência segue como argumento de venda, mas a tendência prática é outra: mais tecnologia embarcada e mais versões conectadas, o que melhora conforto e segurança, porém pode encarecer peças e mão de obra. Além disso, com combustível caro, modelos urbanos eficientes tendem a manter demanda alta, o que ajuda na revenda dos “campeões de uso diário”. Por outro lado, quanto mais “premium” o scooter, mais importante vira cotar seguro e peça antes, porque o custo pode subir sem você perceber.
Checklist inteligente antes de escolher sua moto econômica
Se a sua meta é pagar pouco por quilômetro, faça três verificações simples antes de bater o martelo. Primeiro, cote o seguro na sua cidade com seu perfil. Em seguida, pesquise preço de itens de desgaste (pneu, relação, pastilha/lona e óleo). Por fim, simule o gasto de combustível usando seu km diário e um consumo conservador, porque isso evita “surpresa” quando você sair do showroom e encarar o trânsito real.
Perguntas Frequentes
Em rankings de mercado, a Honda Biz 125 aparece como uma das mais econômicas em 2026, com consumo divulgado acima de 60 km/l em condições favoráveis. Ainda assim, o consumo real depende de trânsito, pilotagem e manutenção, então vale usar o ranking como referência e simular seu custo por quilômetro com uma margem de segurança.
Usando gasolina a R$ 6,30/L, uma moto que faz 60 km/l pode gastar por volta de R$ 105 a cada 1.000 km, enquanto uma que faz 40 km/l fica perto de R$ 157,50. Por isso, a diferença de consumo vira dinheiro no mês, especialmente para quem usa a moto todos os dias no trabalho.
Não necessariamente. Scooters modernos podem ser bem eficientes na cidade, principalmente no anda-e-para, e alguns modelos ficam perto de 45 km/l. No entanto, acelerações fortes e trajetos com muita variação de velocidade tendem a piorar o consumo real. Portanto, o seu estilo de pilotagem pesa tanto quanto o modelo escolhido.
Seguro, pneus, revisões, óleo e itens de desgaste como relação e freios costumam definir o custo total. Em algumas cidades, o seguro pode custar mais do que a diferença anual de gasolina entre duas motos do ranking. Por isso, quem busca moto mais econômica em 2026 deve cotar seguro e checar preço de peças antes de fechar negócio.
