A Suzuki SV-7S, apresentada no EICMA 2026, entra no radar de quem procura uma naked bicilíndrica com bom pacote eletrônico. A Honda CB750 Hornet é uma rival natural na discussão, mas há uma diferença decisiva para o público daqui: a Honda já é comercializada no Brasil, enquanto a Suzuki ainda não teve vendas nacionais confirmadas no anúncio de novembro de 2026.

Além disso, as fichas divulgadas não são do mesmo mercado. Para comparar corretamente, usamos a SV-7S com especificação europeia de 2027 e a Hornet conforme a página oficial da Honda Brasil referente ao modelo 2026. Isso impede conclusões apressadas sobre potência e custo-benefício.
Motor V2 ou bicilíndrico paralelo: duas maneiras de entregar força
A SV-7S usa um V2 a 90 graus de 645 cm³, com 54 kW (aproximadamente 73,4 cv) a 8.500 rpm e 64 Nm a 6.800 rpm, segundo a Suzuki. É uma arquitetura conhecida pelo caráter da resposta e pelo conjunto relativamente estreito, além de continuar a tradição da SV650.
A CB750 Hornet usa um bicilíndrico paralelo de 755 cm³. A página brasileira da Honda informa potência máxima de 69,3 cv e torque de 7,04 kgf.m (cerca de 69 Nm), ambos a 7.000 rpm. Esses números são específicos da ficha brasileira apresentada pela fabricante; não devem ser confundidos com os dados da Hornet vendida na Europa, que podem ser diferentes.
Não é correto concluir que a SV-7S necessariamente acelera mais porque sua potência europeia declarada supera numericamente a potência publicada pela Honda Brasil. Massa em condição equivalente, relações de transmissão, curva de torque, calibração de cada mercado e testes reais precisariam entrar na conta.
Ficha técnica: onde cada uma se destaca
| Item | Suzuki SV-7S 2027 (Europa) | Honda CB750 Hornet 2026 (Brasil) |
|---|---|---|
| Motor | V2, 645 cm³ | Bicilíndrico paralelo, 755 cm³ |
| Potência declarada | 54 kW, cerca de 73,4 cv | 69,3 cv |
| Torque declarado | 64 Nm | 7,04 kgf.m, cerca de 69 Nm |
| Altura do assento | 785 mm | 795 mm |
| Entre-eixos | 1.445 mm | 1.421 mm |
| Tanque | 14 litros | 15,2 litros |
| Suspensão dianteira | Telescópica convencional, 41 mm | Invertida |
| Painel | TFT de 4,2 polegadas | TFT de 5 polegadas |
| Disponibilidade no Brasil | Não confirmada no anúncio | Modelo comercializado |
A Suzuki informa peso de 200 kg em ordem de marcha. A Honda divulga 180 kg como peso seco em sua ficha brasileira. Esses conceitos são diferentes; portanto, somar os valores na tabela e anunciar uma vantagem de 20 kg para a Hornet seria uma comparação incorreta.
Eletrônica: SV-7S chega bem equipada, Hornet oferece mais personalização
A SV-7S estreia três modos de potência, três níveis de controle de tração com desligamento e quickshifter bidirecional de série na especificação divulgada pela Suzuki. Também tem acelerador eletrônico, Suzuki Easy Start, Low RPM Assist e conectividade por meio do Ride Connect+.
A Hornet vendida no Brasil dispõe de cinco modos de pilotagem — Standard, Sport, Rain, User 1 e User 2 — com ajustes de entrega de potência, freio-motor e controle de levantamento da roda dianteira. Há ainda controle de tração HSTC de três níveis, painel TFT de cinco polegadas e sinalização de frenagem de emergência ESS.
Portanto, a Suzuki se destaca pela presença confirmada do quickshifter bidirecional de fábrica na ficha da SV-7S; a Honda apresenta uma quantidade maior de modos e possibilidades de ajuste anunciadas ao comprador brasileiro. Os recursos exatos da SV-7S eventualmente vendida aqui ainda dependeriam de homologação e configuração comercial.
Ergonomia, suspensão e uso na estrada
Com banco a 785 mm do solo, a Suzuki tem assento 10 mm mais baixo que o da Hornet. O guidão largo foi redesenhado para ficar mais próximo do motociclista, e a marca propõe utilização urbana com viagens ocasionais. Seu chassi treliçado é acompanhado de garfo convencional e amortecedor traseiro com pré-carga ajustável.
Na Honda, o assento de 795 mm acompanha garfo dianteiro invertido e suspensão traseira Pro-Link. A Hornet dispõe de tanque de 15,2 litros, contra 14 litros da Suzuki; porém, tanque maior não comprova autonomia superior sem consumos obtidos no mesmo método e para versões equivalentes.
Preço e pós-venda podem decidir mais do que a ficha técnica
A Honda publica preço sugerido e oferece concessionárias e garantia nacional para a CB750 Hornet, conforme suas condições comerciais. A SV-7S tinha início de vendas anunciado para a primavera de 2027 no hemisfério norte, sem preço brasileiro divulgado no lançamento.
Para quem pretende comprar uma naked no Brasil em 2026, a Hornet é a opção concreta, pois tem oferta, peças e canais oficiais locais. Para quem valoriza o V2, o assento mais baixo e o quickshifter anunciado, a Suzuki é uma novidade interessante para acompanhar, mas seu custo-benefício só poderá ser julgado quando houver preço, garantia e disponibilidade confirmados para o país.
O melhor conjunto, assim, não tem uma vencedora universal: Hornet pela decisão de compra imediata no mercado brasileiro; SV-7S pelo apelo de sua proposta e tecnologia, ainda sem comparação comercial nacional possível. Ambas merecem um teste presencial antes de qualquer decisão.
Fonte: Honda Brasil









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