A BYD começou a dar um passo mais avançado em sua operação de Camaçari (BA): depois de um ano montando carros no Brasil, a fábrica passa a testar as etapas de soldagem e pintura, além da estamparia, para ampliar o nível de produção local. O complexo já soma mais de 150 mil unidades feitas na Bahia desde outubro de 2025 e trabalha com cerca de 9 mil empregados diretos.

O movimento marca a transição de uma montagem mais simples, com kits vindos da China, para um processo com mais operações feitas dentro da própria unidade baiana. Segundo o que a empresa apresentou, a meta é chegar a 50% de conteúdo local em janeiro de 2027, patamar que ajudaria a viabilizar exportações para o Mercosul a partir de 35% de nacionalização.
Da montagem de kits às novas etapas industriais
Quando a produção começou, em outubro de 2025, modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro chegavam ao Brasil no sistema SKD2, com carroceria pintada e diversos conjuntos já reunidos na China. A BYD agora migra para um formato chamado internamente de parts by parts, em que os veículos chegam menos prontos e exigem mais trabalho dentro da fábrica brasileira.
Na prática, isso não significa que os componentes já sejam nacionais. O que muda é o volume de operações executadas em Camaçari, aumentando o controle sobre a linha e a geração de trabalho local. A empresa também mostrou prédios novos no terreno da antiga fábrica da Ford, comprado em 2023, incluindo áreas de estamparia, soldagem e pintura que começam a entrar em fase de testes.
Meta de conteúdo local e expansão da fábrica
A estamparia transforma chapas de aço em partes da carroceria; a soldagem une essas peças; e a pintura dá proteção contra corrosão e a cor final ao veículo. Depois disso, a carroceria segue para a montagem final, etapa que já funciona no complexo, onde são instalados motor, suspensão, painel, vidros, bancos, rodas e outros componentes.
O plano da BYD também inclui ampliar a estrutura industrial em Camaçari. Quando todas as fases estiverem prontas, o complexo deve somar cerca de 2 milhões de m² de área construída e reunir 17 unidades parceiras para produzir baterias, motores elétricos e outros itens. Hoje, a marca informa que os pacotes de bateria já são montados na Bahia, embora as células continuem vindo da China.
Em outra frente, a empresa diz já ter homologado mais de 400 fornecedores e manter 250 em negociação, incluindo empresas brasileiras de aço, pneus, vidros e plásticos. Entre os objetivos da marca está também a preparação da picape intermediária Mako, que depende da entrada desses novos processos para nascer com carroceria estampada, soldada e pintada no Brasil.
Enquanto isso, a operação brasileira segue em ritmo forte: a BYD afirma receber pedidos de cerca de 30 mil carros por mês, acima da capacidade atual de faturamento, estimada em 26 mil unidades mensais. A rede já passou de 240 concessionárias no país, e a marca projeta superar 200 mil vendas no Brasil até o fim de 2026.
| Indicador | Dado informado |
|---|---|
| Unidades feitas na Bahia | Mais de 150 mil |
| Funcionários diretos | Cerca de 9 mil |
| Pedidos mensais | Aproximadamente 30 mil |
| Capacidade atual de faturamento | Cerca de 26 mil unidades por mês |
| Meta de conteúdo local | 50% em janeiro de 2027 |
Fonte: Motor1
