Gaucho Trail: rali de 11 mil km reúne carros clássicos de 1920 a 1980 no Sul do Brasil

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O Gaucho Trail Motor Challenge 2026 está colocando dezenas de carros clássicos para rodar por estradas do Sul do Brasil em um percurso de 11 mil quilômetros que passa por cinco países da América do Sul. A prova reúne modelos fabricados entre as décadas de 1920 e 1980 e combina trechos de regularidade, seções cronometradas e desafios mecânicos.

Gaucho Trail: rali de 11 mil km reúne carros clássicos de 1920 a 1980 no Sul do Brasil

Organizado pela britânica Hero-Era, o rali começou em Montevidéu, no Uruguai, em 2 de novembro, e tem chegada prevista para a mesma cidade no dia 28. Ao todo, são 42 duplas de 16 países, com uma lista que vai de Bentley dos anos 1920 a Porsche 911, Ford Mustang, AC Cobra, Datsun 240Z e Mercedes-Benz 280 SL.

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Clássicos de várias décadas encaram o trajeto

O regulamento é voltado principalmente para carros fabricados antes de 1976, mas admite exceções para alguns veículos até 1985 e utilitários 4×4, por convite. Na prática, isso abre espaço para uma seleção ampla, com exemplares de quase todas as décadas entre os anos 1920 e 1980.

Entre os mais antigos estão três Bentley — um 3/4.5 de 1923, outro de 1925 e um Speed 3/4.5 de 1926. Também aparecem um Aston Martin Mk II de 1934, um Alvis 25, um Chevrolet Coupé “Fangio” de 1938, um Chevrolet Master Deluxe e um Ford V8 Coupé de 1939.

Já o grupo de esportivos das décadas de 1960 e 1970 inclui vários Porsche 911, entre eles um Carrera RS de 1974, além de AC Cobra 289, Ford Mustang V8, Sunbeam Tiger, Datsun 240Z, Mercedes-Benz 280 SL Pagoda e Fiat 124 Sport Coupé. A relação ainda traz sedãs e 4×4 como Peugeot 504, Volvo 142S, Rover P6 e Range Rover de primeira geração.

Provas, chuva e os primeiros problemas mecânicos

A programação prevê 40 provas de regularidade, dez seções esportivas cronometradas e oito testes de condução. Em média, os participantes enfrentam cerca de 400 quilômetros por dia durante quase quatro semanas, o que aumenta a exigência sobre motores, transmissões, suspensões e sistemas de arrefecimento.

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A primeira etapa levou o comboio de Montevidéu a Rivera, na fronteira com Santana do Livramento (RS), em um trajeto de 539 quilômetros sob chuva. Na sequência, de Rivera a Santa Cruz do Sul (RS), foram mais 423 quilômetros, com trechos de terra e areia. Os problemas começaram cedo: um AC Cobra precisou trocar a bobina, um Datsun 240Z rompeu a tubulação de freios e ainda teve de substituir o alternador, enquanto um Mercedes-Benz 220 SEb interrompeu a participação no dia por causa da junta do cabeçote.

Em Santa Cruz do Sul, os carros também passaram pelo autódromo local para uma prova de velocidade, na qual os Porsche 911 apareceram entre os mais rápidos.

Acidente no RS e roteiro até os Andes

A passagem pelo interior gaúcho também registrou um acidente. Na manhã de quarta-feira (4), um dos Bentley da década de 1920 derrapou em um trecho enlameado, saiu da estrada e ficou preso em um barranco em Sinimbu (RS). O motorista ficou ferido e foi levado ao hospital, mas a reportagem não informa a gravidade dos ferimentos.

Depois do trecho gaúcho, o rali seguiu para Chapecó (SC) sob chuva e alerta laranja da Defesa Civil, antes de incluir Foz do Iguaçu (PR) no roteiro brasileiro. Em seguida, o percurso entra no Paraguai e continua por Argentina e Chile, com estradas de terra, regiões remotas e a travessia da Cordilheira dos Andes.

O trajeto foi desenhado por Kim Bannister, especialista em ralis históricos de longa distância, e a inspiração vem de provas sul-americanas do passado, como o Grande Prêmio da América do Sul de 1948. Para completar os 11 mil quilômetros até Montevidéu, a organização ainda mantém equipes de assistência mecânica, mas a resistência dos carros e das tripulações será testada até o fim.

Fonte: Motor1

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