A KTM 1390 Super Adventure S EVO combina motor bicilíndrico de 1.350 cm³, 173 cv e 145 Nm com uma proposta incomum entre as big trails: transmissão automatizada, suspensões semiativas e radar frontal com piloto automático adaptativo. É uma motocicleta pensada principalmente para viagens longas, mas sem abandonar a resposta esportiva característica da marca austríaca.

O maior diferencial não está apenas na potência. A versão EVO reúne tecnologias destinadas a reduzir o trabalho do piloto em trânsito, estradas e viagens com garupa. A seguir, confira como elas funcionam e a ficha técnica divulgada pela KTM para o modelo 2026 em mercados internacionais.
O que a KTM 1390 Super Adventure S EVO oferece de diferente?
Enquanto a Super Adventure S convencional conserva o câmbio manual, a S EVO traz a transmissão AMT, que permite alternar entre trocas de marcha automáticas e comandos manuais sem manete de embreagem. Ela também oferece de série radar frontal, suspensão WP com ajuste eletrônico e painel TFT vertical sensível ao toque.
A combinação é especialmente relevante em uma moto grande: o piloto pode escolher uma condução mais participativa em uma estrada sinuosa ou delegar as trocas ao sistema durante deslocamentos cansativos. Isso não torna a motocicleta autônoma e tampouco elimina a necessidade de atenção e controle constantes.
Motor LC8 de 1.350 cm³: potência, torque e tecnologia CAMSHIFT
O motor é um V2 de quatro tempos, a 75 graus, refrigerado a líquido, com 1.350 cm³ de cilindrada. Segundo a KTM, são 173 cv a 9.500 rpm e 145 Nm a 8.000 rpm, números que posicionam a moto entre as big trails de alto desempenho.
O sistema CAMSHIFT utiliza dois perfis de comando para as válvulas de admissão. Em rotações menores, o mecanismo privilegia uma entrega mais progressiva; em rotações elevadas, altera o perfil para ampliar o fluxo de gases e favorecer a potência máxima. Na prática, a intenção é conciliar respostas utilizáveis em viagem com fôlego para acelerações fortes, embora o comportamento real dependa das condições e do modo selecionado.
Na apresentação internacional dessa geração, a fabricante também informou que a verificação da folga de válvulas passou a ser prevista aos 60 mil quilômetros, em comparação com os 30 mil quilômetros citados para a geração 1290 anterior. Isso não substitui o cronograma completo de revisões, que deve seguir o manual do mercado e do ano-modelo correspondente.
Como funciona o câmbio automático AMT da KTM?
A sigla AMT significa Automated Manual Transmission, ou transmissão manual automatizada. A caixa tem seis marchas e utiliza acionamento eletromecânico para executar as mudanças. Não é um câmbio continuamente variável (CVT), como o de muitos scooters.
No modo A, a moto seleciona as marchas automaticamente. No modo M, o condutor comanda as trocas pelo pedal ou pelos controles no punho, sem precisar acionar uma embreagem manual. A embreagem centrífuga permite arrancadas e paradas sem o procedimento habitual de dosar um manete.
Uma particularidade é a posição P (Park), concebida para travar a transmissão e ajudar a evitar deslocamento involuntário quando a moto está estacionada. A sequência prevista inclui P, N e as seis marchas. Isso não transforma o recurso em substituto de um estacionamento seguro, especialmente em rampas.
Radar dianteiro, piloto automático adaptativo e painel TFT
Radar e controle de cruzeiro adaptativo
O radar frontal de quinta geração trabalha com o Adaptive Cruise Control (ACC), capaz de ajustar a velocidade para acompanhar o tráfego à frente dentro de suas condições operacionais. A KTM destaca funções como alerta de colisão, aviso de distância e assistência de frenagem, além de um ajuste específico para deslocamentos em grupo.
Em combinação com a AMT, o sistema também contempla a função Stop & Go, com capacidade de parar e retomar o deslocamento sob as condições previstas pelo fabricante. Todos esses recursos são assistências ao condutor: não prometem reconhecer toda situação de risco nem substituem o uso dos freios e a vigilância do piloto.
Tela vertical de 8 polegadas
O painel TFT de 8 polegadas é montado verticalmente e aceita comandos por toque, além dos controles no guidão. O conjunto reúne modos de pilotagem, configurações da motocicleta e conectividade. A marca também descreve navegação por mapas integrada, inclusive com uso offline, conforme a disponibilidade de mapas e serviços.
Modos de pilotagem e equipamentos opcionais
Os modos informados para a S EVO incluem Rain, Street, Sport, Offroad e Custom. Eles alteram parâmetros como resposta do acelerador e sistemas eletrônicos de assistência. A relação de equipamentos de série contempla controle de tração para motocicletas, ABS com atuação em curvas, monitoramento da pressão dos pneus, sistema de chave presencial, radar dianteiro, suspensão semiativa e AMT.
Rally Mode, Suspension Pro, Hill Hold Control e luz de freio adaptativa aparecem na relação de tecnologias opcionais divulgada pela KTM. Disponibilidade e pacotes podem variar por mercado; por isso, não devem ser tratados automaticamente como itens incluídos em toda unidade.
Suspensão WP semiativa: o que muda na estrada?
A dianteira usa garfo invertido WP SAT de 48 mm, e a traseira também emprega um amortecedor WP semiativo. Ambos oferecem 220 mm de curso. A eletrônica ajusta o amortecimento segundo as configurações escolhidas e as informações recebidas pelos sensores, enquanto a regulagem eletrônica da pré-carga ajuda na adaptação ao uso com garupa e bagagem.
Para quem viaja, o benefício potencial é a facilidade de alternar entre conforto e controle sem fazer tantos ajustes mecânicos. Isso, porém, não significa que a suspensão elimine irregularidades do piso ou compense automaticamente uma distribuição incorreta da carga.
Ficha técnica da KTM 1390 Super Adventure S EVO
Os números abaixo correspondem à especificação internacional 2026 divulgada pela KTM. Homologação, componentes e oferta comercial podem variar conforme o país e o ano-modelo.
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | Bicilíndrico em V a 75°, quatro tempos |
| Cilindrada | 1.350 cm³ |
| Potência máxima | 173 cv (173 PS) a 9.500 rpm |
| Torque máximo | 145 Nm a 8.000 rpm |
| Arrefecimento | Líquido, com trocador de calor água/óleo |
| Transmissão | AMT de 6 marchas, modos automático e manual |
| Transmissão final | Corrente 525 X-Ring |
| Quadro | Treliça de aço-cromo-molibdênio |
| Suspensão dianteira | Garfo invertido WP SAT de 48 mm |
| Suspensão traseira | Amortecedor WP SAT semiativo |
| Curso das suspensões | 220 mm na frente e atrás |
| Freios dianteiros | Dois discos de 320 mm, pinças radiais de 4 pistões |
| Freio traseiro | Disco de 267 mm, pinça Brembo de 2 pistões |
| Roda dianteira | Liga leve, 19 polegadas |
| Roda traseira | Liga leve, 17 polegadas |
| Pneus | 120/70 R19 e 170/60 R17 |
| Altura do assento | 847 ou 867 mm |
| Distância entre eixos | 1.558 mm |
| Distância livre do solo | 223 mm |
| Tanque | Aproximadamente 23 litros |
| Peso sem combustível | 227 kg |
| Painel | TFT vertical sensível ao toque, 8 polegadas |
Consumo e autonomia: quanto a big trail pode rodar?
Na apresentação internacional da família 1390, a KTM divulgou consumo de referência de 6,7 L/100 km, equivalente a aproximadamente 14,9 km/l. Com tanque de 23 litros, uma conta puramente teórica sugeriria cerca de 340 km. Não se trata de autonomia testada pelo Mundo Automotor nem de promessa para uso real.
Velocidade, bagagem, garupa, vento, trânsito, modo de pilotagem e condições da estrada alteram o resultado. Por isso, é mais prudente planejar paradas com margem do que usar o cálculo como distância garantida entre abastecimentos.
É uma big trail para asfalto ou fora de estrada?
A configuração de rodas de liga leve de 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira, associada aos pneus de proposta turística, mostra a prioridade da S EVO no asfalto e nas viagens. Os 220 mm de curso de suspensão e o modo Offroad ampliam a capacidade de enfrentar trechos de terra e irregularidades, mas o peso, o porte e a escolha das rodas devem entrar na avaliação antes de trilhas técnicas.
Dentro da linha, a 1390 Super Adventure R é a alternativa mais direcionada ao uso fora de estrada, com rodas raiadas de 21 e 18 polegadas e maior curso de suspensão. Já a S convencional preserva a proposta rodoviária, mas sem a transmissão automatizada exclusiva da EVO na configuração aqui analisada.
Qual é o preço da KTM 1390 Super Adventure S EVO no Brasil?
A KTM apresenta o modelo e suas especificações em mercados internacionais. Não foi possível confirmar um preço público oficial em reais nem uma programação de comercialização brasileira para a S EVO nas informações consultadas para este artigo. Assim, valores anunciados no exterior não devem ser convertidos diretamente e tratados como preço para o Brasil: impostos, homologação, câmbio e distribuição podem mudar substancialmente o custo final.
Quem considera importar ou comprar uma unidade deve confirmar diretamente a procedência, a documentação, o suporte técnico e a disponibilidade de peças para o sistema AMT e para os componentes eletrônicos.
Vale a pena considerar a versão EVO?
A 1390 Super Adventure S EVO faz mais sentido para quem prioriza viagens de longa distância, desempenho forte e assistências eletrônicas, especialmente se a possibilidade de alternar entre trocas automáticas e manuais for um diferencial importante. Radar, suspensão semiativa e painel amplo podem tornar a rotina de estrada mais prática, sem substituir a experiência do condutor.
Por outro lado, altura de assento de até 867 mm, peso de 227 kg sem combustível, complexidade eletrônica e falta de preço brasileiro confirmado exigem cautela. Para quem prefere pilotagem estritamente manual ou pretende fazer off-road mais exigente, vale comparar cuidadosamente as outras versões da família antes de escolher.
Fonte: KTM


