A Honda Africa Twin passou por uma mudança de geração para 2027. A antiga CRF1100L deu lugar à CRF1150L, apresentada na EICMA 2026, com motor de maior cilindrada, estrutura revista e uma divisão mais clara entre turismo e uso fora de estrada. A novidade não se resume ao número estampado na carenagem: a Honda também trabalhou para baixar o centro de gravidade e ampliar a oferta de recursos eletrônicos.

Para quem conhece a Africa Twin 1100 ou pensa em comprar uma usada, a principal questão é entender o que muda na prática. A 1150 oferece mais desempenho e novas soluções de condução, mas isso não torna automaticamente a geração anterior uma escolha ruim — sobretudo enquanto não houver preço e configuração nacionais confirmados para a nova linha.
Africa Twin 1150 vs 1100: principais diferenças
| Característica | Africa Twin CRF1100L | Africa Twin CRF1150L 2027 |
|---|---|---|
| Motor | Bicilíndrico paralelo de 1.084 cm³ | Bicilíndrico paralelo de 1.131 cm³ |
| Desempenho | Referência da geração anterior | 87,5 kW (aprox. 119 cv) e 119 Nm, dados divulgados pela Honda |
| Estrutura | Projeto da geração 1100 | Quadro e balança redesenhados; conjunto estrutural informado como 1,4 kg mais leve |
| Distribuição do combustível | Arranjo da geração anterior | Subtanque sob o assento para baixar o centro de gravidade |
| Família | Africa Twin e Adventure Sports | Africa Twin, Adventure Sports e inédita Enduro Sports |
| Assistência por radar | Não integra a proposta da linha 1100 | Honda SENSING RIDE opcional na Adventure Sports DCT |
Os dados da CRF1150L correspondem à apresentação internacional do ano-modelo 2027; equipamentos e versões comercializados no Brasil ainda precisam de confirmação específica.
Motor maior: mais força para viajar e ultrapassar
A cilindrada passou de 1.084 para 1.131 cm³. A Honda declara potência máxima de 87,5 kW a 7.500 rpm e torque de 119 Nm a 5.700 rpm para o novo bicilíndrico. Em sua comparação com a geração precedente, a fabricante aponta crescimento de aproximadamente 16% na potência e de quase 7% no torque. Alterações na admissão, no escape, na taxa de compressão e nas relações de transmissão ajudam a explicar o novo conjunto.
Essa evolução tende a ser mais perceptível em retomadas e em viagens com bagagem ou garupa do que em um deslocamento urbano tranquilo. Ainda assim, o desempenho real em diferentes superfícies dependerá do acerto de cada versão, dos pneus e do peso em ordem de marcha; não há base para atribuir vantagem de consumo à 1150 sem medições comparáveis.
Chassi e centro de gravidade: uma mudança menos visível
O redesenho do quadro e da balança traseira trouxe uma redução declarada de 1,4 kg nesse conjunto de componentes. Isso não significa que a motocicleta inteira tenha emagrecido 1,4 kg: trata-se de uma comparação estrutural específica feita pela Honda.
Outra inovação é o subtanque instalado sob o banco. Ao deslocar parte da massa do combustível para uma região mais baixa, a fabricante pretende melhorar a sensação de controle em manobras lentas e mudanças de direção. É um benefício especialmente relevante numa big trail alta, usada tanto em rodovias quanto em trechos de terra. A efetividade dessa solução, porém, precisa ser avaliada em testes de pilotagem.
Três versões para usos diferentes
CRF1150L Africa Twin
A versão de entrada da nova família procura equilibrar estrada e trechos sem pavimento. O anúncio global destaca para-brisa com ajuste elétrico, chave presencial e suspensão eletrônica Showa EERA com tecnologia Skyhook. O pacote é mais sofisticado, mas a lista final de série poderá variar conforme o mercado.
CRF1150L Africa Twin Adventure Sports
Continua voltada ao turismo de longa distância, com tanque de 24 litros e roda dianteira de 19 polegadas na configuração anunciada. A grande novidade é a possibilidade do sistema Honda SENSING RIDE, que usa radares e trabalha integrado ao câmbio DCT. É importante observar que o recurso foi anunciado como opcional na versão Adventure Sports DCT, não em todas as Africa Twin 1150.
CRF1150L Africa Twin Enduro Sports
Inédita na família, busca maior capacidade fora de estrada. Traz suspensão dianteira com especificação relacionada à CRF450 RALLY e posicionamento voltado a trilhas e terrenos mais exigentes. Para quem roda principalmente no asfalto, essa especialização não implica necessariamente a melhor escolha.
O que o Honda SENSING RIDE realmente faz?
A Honda apresentou funções como controle de cruzeiro adaptativo, assistência em trânsito com paradas e retomadas, alertas de ponto cego, aviso de risco de colisão e suporte para manter o espaçamento em viagens em grupo. O conjunto usa radares dianteiro e traseiro. São assistências ao condutor, não sistemas de direção autônoma: a pilotagem e a observação do ambiente continuam sob responsabilidade do motociclista.
Vale esperar a Africa Twin 1150 ou considerar a 1100?
Quem procura o pacote tecnológico mais atual, pretende fazer longas viagens e valoriza as novas assistências encontrará motivos objetivos para acompanhar a CRF1150L. Já a Africa Twin 1100 continua sendo uma opção relevante para quem conhece seu histórico de manutenção, prefere uma unidade disponível no mercado brasileiro e deseja avaliar preço, estado e procedência antes de comprar.
A nova geração ainda exige respostas importantes para uma decisão de compra no Brasil: preço, versões importadas, disponibilidade, custo de seguro, prazo de peças e eventuais diferenças de homologação. Até que isso seja divulgado, comparar valores de aquisição entre as duas gerações seria prematuro.
O Mundo Automotor já apresentou o anúncio da nova Africa Twin na EICMA e também reuniu as demais novidades da Honda para 2027.
Fonte: Honda
