A Yamaha RW700, apresentada na EICMA 2026, coloca um novo nome na disputa dos veículos que combinam a praticidade de um scooter com soluções de motocicleta aventureira. A comparação com a Honda X-ADV 750 é inevitável: ambas procuram oferecer condução sem manete de embreagem, conforto em viagens e capacidade para enfrentar pisos menos regulares.

Apesar da semelhança de proposta, elas seguem caminhos técnicos diferentes. A RW700 utiliza o bicilíndrico CP2 de 689 cm³ e a transmissão automatizada Y-AMT; a X-ADV vendida no Brasil usa um motor de 745 cm³ e câmbio de dupla embreagem DCT. A Honda já tem preço, rede e produto estabelecido no país, enquanto a Yamaha não confirmou comercialização nacional da nova RW700.
RW700 vs X-ADV: ficha de comparação inicial
| Item | Yamaha RW700 (apresentação internacional) | Honda X-ADV (linha brasileira) |
|---|---|---|
| Motor | Bicilíndrico CP2 de 689 cm³ | Bicilíndrico de 745 cm³ |
| Transmissão | Y-AMT, com modos automático e de troca manual por comandos no guidão | DCT de seis velocidades, com duas embreagens |
| Distância mínima do solo | 170 mm, segundo a Yamaha | 165 mm, segundo a Honda Brasil |
| Suspensão dianteira | Garfo invertido de 41 mm | Garfo invertido de 41 mm |
| Rodas | Proposta mista, com rodas cross-spoke | 17 polegadas na frente e 15 atrás |
| Situação brasileira | Sem chegada confirmada | Modelo comercializado oficialmente |
As especificações são de versões e mercados diferentes; a comparação técnica não substitui uma avaliação de unidades efetivamente vendidas no Brasil.
O que muda entre Y-AMT e DCT?
Na RW700, a Yamaha adaptou o sistema Y-AMT para permitir trocas automatizadas sem manete de embreagem ou pedal de câmbio. O piloto pode deixar a eletrônica selecionar as marchas ou escolher as trocas manualmente pelos controles junto ao guidão. Essa solução preserva a lógica de um câmbio mecânico automatizado, uma característica que aproxima a RW700 de uma motocicleta convencional em sua entrega de potência.
A X-ADV usa a transmissão DCT da Honda, com duas embreagens e seis relações. O objetivo também é dispensar o acionamento manual da embreagem, mas com um conjunto de transmissão distinto. O DCT tem anos de aplicação em modelos Honda e foi calibrado para trabalhar em conjunto com os modos de pilotagem da X-ADV.
Para o usuário, a diferença decisiva não é apenas a sigla: importam a suavidade nas manobras lentas, a rapidez das trocas, o comportamento em subida e o controle em trechos de terra. Esses aspectos só poderão ser colocados em igualdade de condições depois de testes comparativos independentes.
Motor e vocação de uso
O bicilíndrico CP2 de 689 cm³ é o destaque mecânico da RW700, enquanto a Honda divulga para a X-ADV brasileira 58,6 cv a 6.750 rpm e torque de 7,03 kgf.m a 4.750 rpm. Cilindrada maior não representa, isoladamente, superioridade de desempenho: entrega de torque, relações de marcha, massa e calibração eletrônica alteram muito a sensação de pilotagem.
Na Yamaha, o desenvolvimento foi direcionado à alternância entre percurso urbano, turismo e trajetos sem asfalto. A marca anunciou pneus Pirelli Scorpion Rally STR, rodas cross-spoke, suspensão de curso longo e controle eletrônico com modo Gravel. A RW700 Explore acrescenta itens de conforto como manoplas e banco aquecidos, além de ajustes adicionais na suspensão dianteira.
Conforto, equipamentos e praticidade diária
A X-ADV traz vantagens concretas para o consumidor brasileiro: concessionárias, suporte pós-venda e uma configuração conhecida. O modelo atual oferece controle de velocidade de cruzeiro, painel TFT de cinco polegadas, Honda RoadSync, chave inteligente, cinco modos de pilotagem e um compartimento sob o banco de 22 litros, conforme materiais da Honda.
A RW700 aposta em ergonomia própria para uso misto, pedaleiras com quatro posições de ajuste e plataformas dobráveis. Seu vão livre do solo divulgado é de 170 mm, apenas 5 mm acima dos 165 mm da X-ADV. Portanto, não seria correto tratá-la como uma moto de enduro: são modelos crossover que exigem cautela em terrenos difíceis, especialmente com peso, pneus e suspensões próprios de uma máquina de turismo.
Qual faz mais sentido no Brasil?
Para quem pretende comprar agora, a Honda sai na frente por um fator objetivo: a X-ADV está à venda no país. Na página oficial brasileira consultada, a fabricante informa preço público sugerido a partir de R$ 93.500 em São Paulo, com tabela de referência de agosto de 2026, sem frete. O valor pode variar por estado e concessionária.
Para quem acompanha novidades e pode esperar, a RW700 merece atenção pela associação entre motor CP2, Y-AMT e pacote mais voltado ao uso misto. Entretanto, ainda não existem preço brasileiro, início de vendas nacional ou condições de assistência locais para uma comparação de custo-benefício honesta.
Conclusão: duas interpretações do scooter aventureiro
A Yamaha parece buscar uma experiência mais próxima à de uma moto adventure automatizada, com soluções para controlar melhor o veículo de pé e em pavimento irregular. A Honda preserva a identidade de crossover com foco importante em conforto, conveniência e uso combinado de cidade e estrada. Nenhuma das duas pode ser apontada como vencedora definitiva sem preço equivalente e testes diretos.
Entenda também como é formada a nova linha Yamaha RW, que inclui a RW350 e a RW700 Explore.
Fonte: Yamaha Motor









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